quarta-feira, 28 de setembro de 2011
novo medicamento contra diabetes
NOVO MEDICAMENTO PARA DIABETES USADO COMO EMAGRECEDOR
Dra. Luciana Spina- Endocrinologista em 05/09/2011
Está disponível nas há cerca de três meses no Brasil, aprovado pela ANVISA, a liraglutida (nome comercial Victoza®), indicada no tratamento do diabetes tipo 2 em adultos (maiores de 18 anos).
Além de auxiliar no controle glicêmico dos pacientes diabéticos, o Victoza® proporciona importantes benefícios como: perda de peso, redução significativa na pressão arterial sistólica e melhora da função das células beta, responsáveis por sintetizar e secretar a insulina.
A liraglutida pode promover perda de peso por retardar o esvaziamento gástrico e aumentar a sensação de saciedade após as refeições, podendo ser então um grande aliado no combate à obesidade.
Entenda melhor como esse medicamento funciona:
Liraglutida é um análogo de GLP-1 (Glucagon-like peptide-1) – e possui 97% da identidade de sequência de aminoácidos de GLP-1 nativo, hormônio natural produzido pelo intestino que colabora para o metabolismo normal da glicose como outros hormônios pancreáticos e gastrointestinais como a insulina, o glucagon, a amilina etc.
O medicamento age no pâncreas estimulando a liberação de insulina apenas quando os níveis de açúcar no sangue estão altos, o que gera baixo risco de hipoglicemia. Além disso, o medicamento é metabolizado naturalmente pelo organismo e não possui excreção renal.
Sua aplicação se dá por meio de uma caneta de injeção subcutânea, uma vez ao dia, sempre no mesmo horário.
Conheça o principal estudo clínico realizado:
O programa de estudos clínicos LEAD (Ação e Efeito de Liraglutida no Diabetes) testou exaustivamente a eficácia e segurança de liraglutida. Mais de 4.400 pacientes de 40 países em todo o mundo foram reunidos em cinco estudos, que compararam diretamente liraglutida aos tratamentos de diabetes normalmente utilizados como glimepirida, rosiglitazona, insulina glargina e exenatida.
Os principais achados dos estudos LEAD apontam que o tratamento com liraglutida em todos os casos resultou em bom controle do açúcar no sangue. O percentual de pacientes que atingiram a meta da ADA (Associação Americana de Diabetes) dos níveis de açúcar no sangue (HbA1c <7%) foi significativamente mais alto com todas as doses de liraglutida em todas as comparações. A perda de peso média também foi maior no grupo com liraglutida comparado com os outros grupos.
Existe indicação para o uso de Liraglutida no tratamento da obesidade?
Essa semana saiu na revista VEJA uma reportagem ressaltando o uso desse medicamento como emagrecedor.
Como endocrinologista, gostaria de colocar minha opinião sobre essa reportagem e esclarecer alguns pontos. Em primeiro lugar esse medicamento foi inicialmente aprovado para uso em diabéticos. As demais indicações ainda estão em estudo, portanto temos que ter cautela. Alguns médicos já vem usando em não-diabéticos, mas essa prática é considerada off-label, que significa que não está indicada em bula. Sendo assim, esse fato deve ser muito bem esclarecido ao paciente e no meu entender, deve ser assinado um termo de consentimento esclarecido, em que o paciente se declara ciente dos riscos e benefícios da medicação. Temos que levar em consideração que é um medicamento novo existe há apenas 3 meses no mercado brasileiro e há pouco mais de 1 ano e meio nos outros países, incluindo EUA e Europa. Isto significa que, apesar dos grandes estudos pré venda, a classe médica, na sua maioria, tem pouca experiência em usá-lo na prática clínica. Outra questão é que a medicação é injetável e requer cuidados na usa administração. Seu uso é diário e de alto custo financeiro. Então, não é para todo mundo. Em relação aos efeitos colaterais ele pode causar enjôo e náuseas, podendo seu uso ser restrito para indivíduos com problemas gástricos.
O mais importante de tudo isso, é que provavelmente a perda de peso será temporária se não houver mudança de hábito alimentar. A melhora no padrão alimentar é que garante uma vida mais saudável. Procuramos sempre uma maneira fácil e rápida de emagrecer...Mas emagrecer com SAÚDE é aprender a comer bem! Ter qualidade de vida é praticar atividade física. Não existe remédio no mundo que substitua esse fato! Pensem sobre isso!
Não se esqueçam que seu medico é a pessoa mais importante para discutir essas questões com você. Qualquer medicação deve ter seu uso avaliado em termos de riscos e benefícios. O acompanhamento medico é fundamental e cuidar da nossa saúde como um todo essencial !!!
sábado, 20 de novembro de 2010
NITOS SOBRE O DIABETES
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7 mitos e 5 verdades sobre o diabetes
Especialistas esclarecem dúvidas e revelam os verdadeiros perigos para os diabéticos
Por Natalia do Vale Publicado em 13/11/2009
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No Brasil, cerca de sete milhões de pessoas, acima de 18 anos, têm a doença. Um estudo recente da Sociedade Brasileira de Diabetes, aponta que mais de 60% deles não sabem que têm a doença. Disfunção metabólica crônica decorrente de uma deficiência de insulina - hormônio produzido pelo pâncreas - que pode ser causada por fatores genéticos ou em decorrência de maus hábitos de vida como sedentarismo e uma dieta desequilibrada, recheada, principalmente de açúcar.
O problema pode trazer perda ou aumento de peso, é fator de risco para problemas cardiovasculares e, nos casos mais graves, provocar falência de órgãos (rins, olhos) e até a morte. Apesar dos perigos, é completamente controlável.
"É uma doença crônica e deve ser tratada como tal, mas com informação e mudança de hábitos, dá para ser controlada e ter qualidade de vida", explica a nutricionista Patrícia Ramos, coordenadora do Hospital Bandeirantes. Pensando nisso, o MinhaVida conversou com especialistas para descobrir os mitos e verdades do diabetes para facilitar a vida de quem convive com a doença.
O diabetes é uma doença crônica, mas com informação e mudança de hábitos, dá para ter qualidade de vida
1.Diabetes é contagioso
Mito: o diabetes não passa de pessoa para pessoa. É preciso acabar com essa discriminação de que o diabético não pode ter emprego, amigos e vida social. O que acontece é que, em especial no tipo 1, há uma propensão genética para se ter a doença e não uma transmissão comum. "Temos exemplos de mães diabéticas que tem filhos totalmente saudáveis", explica a nutricionista.
2.Canela ajuda a controlar o diabetes
Mito: não tem nenhum estudo científico que comprove isso. Existem alguns estudos em relação à canela, porém são estudos preliminares, que merecem mais esclarecimentos para provar esse efeito satisfatório. "É melhor não seguir nada que não seja comprovado, afinal, trata-se de um problema crônico e qualquer descuido pode piorar a situação", diz a nutri.
3.Diabético pode consumir mel, açúcar mascavo e caldo de cana sem problemas
Mito: apesar de naturais, estes alimentos tem açúcar do tipo sacarose, maior vilã dos diabéticos. "Hoje, os padrões internacionais já liberam que 10% dos carboidratos ingeridos podem ser sacarose, mas sem o controle e a compensação, os níveis de glicose podem subir e desencadear uma crise", explica Patrícia. "O diabético até pode consumir, mas ele deve ter noção de que não pode abusar e compensar com equilíbrio na dieta", continua.
4.Alguns alimentos ajudam a controlar os níveis de glicose no sangue auxiliando o tratamento do diabetes
Verdade: Sim. Isso por conta do Índice Glicêmico (IG) dos alimentos. Quando um alimento tem o índice glicêmico baixo, ele retarda a absorção da glicose pelo sangue e, portanto estabiliza a doença. Mas, quando o índice é alto, esta absorção é rápida e acelera o aumento das taxas de glicose no sangue. "Alimentos integrais, iogurtes sem açúcar, maçã, pera, feijão, lentilha e manga, podem ser considerados indutores deste controle, por isso ajudam a amenizar os sintomas da doença, já os de alto índice, como batata e demais carboidratos, aumentam o problema", continua
5.A aplicação de insulina causa dependência química
Mito: a aplicação de insulina não promove qualquer tipo de dependência química ou psíquica. O hormônio é importante para permitir a entrada de glicose na célula, tornando-se fonte de energia. "No caso dos pacientes com diabetes tipo 1, não tem jeito eles são insulino-dependentes, e não porque ela cause esta dependência, mas pelo fato de sua deficiência ser crônica desde o nascimento", explica Patrícia.
"Não se trata de dependência química e sim de necessidade vital. Você precisa da insulina para sobreviver, mas não é um viciado na substância", explica o endocrinologista e presidente da Associação Nacional de Apoio ao Diabético (Anad), Fadlo Farige.
6.Deve-se substituir o açúcar dos alimentos por adoçante
Verdade: os adoçantes foram feitos exatamente para os diabéticos ou para quem está de dieta, porém, para pessoas que não têm nenhuma disfunção, existe um limite para seu uso. "O valor diário recomendado de aspartame, por exemplo, é 40 mg por kg, já no ciclamato, este número é bem menor, 11 mg", explica a nutricionista.
Mito: neste caso, depende. O carboidrato eleva a glicemia com mais rapidez, por isso sua ingestão deve ser controlada. "No diabetes Tipo 1, é necessária a aplicação de insulina diariamente, já que o pâncreas não produz este hormônio. Portanto, mesmo que não coma carboidratos, precisará aplicar insulina. No caso do diabetes Tipo2, a ingestão da insulina vai depender do nível de glicemia. Se estiver controlado, pode-se parar o uso, porém, só um médico poderá fazer esta avaliação", explica Patrícia.
8.Não é permitido ingerir bebidas alcoólicas
Verdade: "o consumo é permitido, mas com alguns cuidados: de forma moderada e sempre junto a uma refeição, pois o consumo isolado pode levar a hipoglicemia (baixa nas taxas de glicose sanguínea) ou dificultar a recuperação de uma crise hipoglicêmica, já que o uso de insulina e de outros medicamentos para controlar o diabetes é feito para baixar a glicemia, e o álcool tende a diminuir ainda mais estas taxas, o que pode levar a um quadro crônico", explica a nutricionista.
Também é importante fazer o monitoramento de glicemia antes e depois de consumir bebidas alcoólicas. Para Fadlo Fraige, apenas as bebidas destiladas são permitidas (e com muita moderação), pois, segundo ele, não são feitas à base de carboidratos e o álcool tem baixo índice glicêmico. Já sobre as fermentadas, à base de glicose, o endocrinologista recomenda: "Cuidado com cervejas e bebidas doces ou à base de carboidratos. Elas têm alto índice glicêmico e podem trazer problemas. Ao contrário do que se imagina, as bebidas sem álcool são piores, pois, têm o carboidrato e não têm o álcool que ajuda a baixar a glicemia", explica o presidente da Anad.
9.Bebida alcoólica pode porque o remédio para diabetes tem álcool e não faz mal
Mito: A taxa de álcool presente nos remédios são mínimas e, por isso, não dá para fazer esta comparação. "Bebidas alcoólicas são permitidas com restrições", diz a nutricionista.
10.Quem tem diabetes deve fazer somente exercícios leves
Verdade: diabéticos devem ser estimulados a fazer atividades físicas, respeitando contra-indicações, se houver. "De uma forma geral, os exercícios melhoram os níveis glicêmicos, porém, quando o gasto calórico é maior do que a reposição de nutrientes após o treino, pode haver um quadro de hipoglicemia, por isso, deve-se fazer um monitoramento", diz a nutricionista.
11.Estresse ajuda a descontrolar o diabetes
Verdade: quando uma pessoa fica nervosa, a sua taxa de glicose sanguínea sobe. "Mas isso não acontece só com diabéticos", diz Patrícia.
12.Diabéticos podem usar sauna e fazer escalda pés
Mito: Por ser uma disfunção metabólica o diabetes altera a circulação e compromete os vasos sanguíneos, dificultando o processo de cicatrização e pode causar problemas em diversas outras funções como problemas renais e o comprometimento da visão. "Em função desta alteração circulatória, os riscos de exposição à altas temperaturas e aos choques térmicos podem agravar ou desencadear quadros de angiopatias e outros problemas cardíacos", finaliza a Patrícia.


